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  • Frederico Freitas

A atual Transição Energética e o Hidrogênio Verde

Por Frederico Freitas


Deste os primórdios, o homem busca fontes energéticas mais eficientes e o hidrogênio verde será o vetor tecnológico desta transição energética. De fato, as inovações tecnológicas reduziram o custo de produção da energia vinda de fontes renováveis e, esta energia limpa, é indispensável para produzir o Hidrogênio Verde.


Entretanto, o homem “transiciona” por diferentes fontes energéticas desde os primórdios e isso está intimamente ligado a evoluções sociais e econômicas. Uma das definições para a palavra transição é: “movimento consciente e motivado de passagem entre a situação atual e o futuro ideal que buscamos alcançar.”


A primeira fonte energética natural utilizada pelo homem, de forma intencional e controlada, foi o fogo. Não significa dizer que o fogo passou a existir naquele instante, pelo contrário, esta fonte energética é uma das responsáveis pelo surgimento do nosso planeta.


O homem ancestral conseguiu controlar esta fonte energética basicamente de três formas:

  • Produção: através da fricção entre duas pedras.

  • Manutenção: utilizando-se de fogueiras, abastecidas com lenha, mantendo a fonte energética ativa e operacional.

  • Transporte: através da utilização de tochas que facilitava o uso da fonte energética em local distinto do local de produção.


Uma vez controlada a forma de produção desta primeira fonte energética, nossos ancestrais passaram a utilizá-la para cozinhar seus alimentos, iluminar as cavernas onde se abrigavam e a usá-lo como uma espécie de “escudo” para evitar a aproximação de animais predadores de grande porte.


Milhões de anos depois, por volta de 1690, inventores europeus avançaram na construção das primeiras máquinas a vapor, sendo este um importante acontecimento e apontado pela história como o grande marco da Primeira Revolução Industrial.


A máquina a vapor permitiu o surgimento da indústria têxtil, das primeiras locomotivas e outros meios de transporte, gerando uma verdadeira revolução na forma de produzir riqueza, na geração do desenvolvimento social e na forma de pensar e agir da sociedade daquela época.


Podemos afirmar que esta evolução foi uma transição energética, quando aquele fogo inicialmente “dominado” pelo homem primata passou a ser utilizado, de forma mais eficiente, para produzir energia mecânica que movimentou máquinas, indústrias e meios de transporte.


Poderia apontar outros marcos para demonstrar cenários de transição energética, como a utilização de máquinas a vapor para geração de energia elétrica e o surgimento dos motores a combustão que deu início ao uso de combustíveis derivados do petróleo. Entretanto, este resgate histórico tem o objetivo de demonstrar conceitualmente a busca incansável do ser humano por formas mais eficientes de se produzir energia, movimento e trabalho.


Retornando aos dias atuais, todo este desenvolvimento industrial provocou um aumento de 31% nas concentrações de CO2 na atmosfera terrestre desde a Revolução Industrial iniciada na segunda metade do século XVIII. Adicione a este cenário o crescimento da população mundial, aliado ao desenvolvimento econômico de países como China e Índia que têm provocado um crescimento exponencial na demanda de recursos energéticos globais.


Sabemos que atender o crescimento desta demanda energética com os meios de produção de atuais (leia-se combustíveis fósseis) é inviável, quer seja por tratar-se de um recurso não renovável, quer seja pelas elevadas emissões de CO2 e Gases de Efeito Estufa. Emissões estas que tem provocado gigantescos impactos nos ciclos climáticos ao redor do globo terrestre, gerando catástrofes naturais com intensidades cada vez mais assustadoras.


Para alterar este cenário devastador, a sociedade moderna precisa realizar outra transição energética, substituindo combustíveis fósseis por fontes de energias renováveis capazes de direcionar transitar para uma economia de baixo carbono.


O desafio da Atual transição energética é enorme. Para atingir as metas do Acordo de Paris haverá necessidade de um setor energético global que gere mais de 50% a partir de fontes renováveis até 2030. Pode-se dizer que a atual transição energética tem o seu início marcado pela adoção de sistemas distribuídos de geração de energia solar fotovoltaico. A energia gerada por estes sistemas já abastece residências, empresas de médio e pequeno porte etc.


Outro movimento importante é a construção de empreendimentos de geração centralizada, estes de grandes proporções, com geração solar fotovoltaica e até mesmo geração eólica para atender grandes demandas energéticas. Porém, dada a sua intermitência, estas fontes de geração de energia renovável têm limitações para os chamados consumidores eletrointensivos, que demandam oferta firme e alta potência energética para manter suas operações industriais a pleno funcionamento. Estamos falando de setores industriais como mineração, siderurgia, produção de cimento etc.


É neste cenário que o Hidrogênio Verde se destaca: produzido com energias renováveis, sua molécula pode ser armazenada e transportada, garantindo “estoque” energético e “contornando” a intermitência das fontes renováveis.


Existem inúmeros desafios até a consolidação da indústria do Hidrogênio Verde, porém a magnitude desta atual transição energética abre oportunidades sem precedentes em escala e intensidade tanto por países como por indivíduos.


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